sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Resenha: As novas formas de expressão do preconceito e do racismo

O objetivo do texto é analisar as novas formas de expressão do preconceito e do racismo que se manifestam nas sociedades formalmente democráticas e que começaram a surgir após as mudanças sociais decorrentes dos direitos civis e da declaração dos Direitos Humanos. Para isto, os autores analisam os racismos simbólico e moderno, da Austrália e dos Estados Unidos, o racismo ambivalente, dos Estados Unidos, o preconceito sutil, da Europa, e o racismo cordial, do Brasil. Por: Gilcimar Santos Dantas Para os autores, dentre as várias formas possíveis de preconceito, existe uma que é peculiar e que se dirige a grupos com características físicas supostamente herdadas. Neste sentido, o racismo possuiria processos de hierarquização, exclusão e discriminação a partir de características físicas externas, mas se diferenciaria do preconceito porque além de possuir as características acima, este não existe apenas em um nível individual, mas também institucional e cultural. Ou seja, o racismo não seria apenas uma atitude, mas também englobaria processos de discriminação e de exclusão social. Neste caso, os autores trabalham as novas formas de racismo a seguir. O racismo simbólico seria uma forma de resistência a mudanças no status quo das relações raciais, na qual as atitudes contra os negros seriam, muito mais, decorrentes de uma percepção de ameaça aos valores e à cultura do grupo dominante do que de uma noção de ameaça econômica. O racismo moderno se baseia nas crenças de que o racismo é uma coisa do passado, de que os negros estão subindo rapidamente em espaços aonde não são bem vindos e que os meios e as demandas dos negros são injustos e que as instituições estão lhe dando muito crédito. Segundo o racismo aversivo, pessoas brancas, ao entrarem em contato com pessoas negras, elas não as discriminariam, pelo contrário, elas as tratariam de modo igualitário, mas quando há um contexto no qual se justifica a discriminação, essas mesmas pessoas discriminariam indivíduos negros. O racismo ambivalente possui duas orientações que podem gerar conflito ou ambivalência por parte de quem faz o julgamento. Sendo assim, pessoas brancas podem sentir simpatia pelos negros ao aderirem a valores humanitários e de igualdade. Por outro lado, a adesão a valores individualistas levaria os brancos a verem os negros como desviantes destes mesmos valores. O racismo sutil seria uma forma mais velada de racismo que se caracteriza pelas crenças de defesa dos valores tradicionais, pelo exagero das diferenças culturais e pela negação de emoções positivas aos membros do exogrupo. O racismo cordial, típico do Brasil, decorre do mito da democracia racial e da ideologia do branqueamento. Seria um racismo sem intenção e, às vezes, de brincadeira, mas que exerce influência negativa na vida das pessoas negras. Sobre a discussão a respeito das formas abertas de racismo, o Brasil parece estar em uma condição diferente. Os estudos sobre formas mais sutis e ambíguas de racismo nos Estados Unidos e na Europa mostram que esta forma de preconceito começa a surgir no início da segunda metade do século XX. Entretanto, no Brasil, as formas sutis de racismo já começam a entrar em prática no fim do século XIX quando se tenta trabalhar em uma forma de lidar com um país recém-saído da escravização (Azevedo, 1988). Ideias de que o Brasil é um país igualitário aonde pessoas de todas as raças convivem de modo harmônico, que os maiores problemas do país são de ordem econômica e que aqueles que tentam discutir as diferenças com base na questão racial são causadores de problema é algo antigo e não só defendido pelos mais conservadores. O que parece (principalmente após o surgimento das políticas de Ações Afirmativas) é que muitos brasileiros tem caminhado na direção contrária em relação à questão racial, contradizendo uma perspectiva que foi mantida com muito orgulho durante muito tempo. Pode-se ter como exemplo as reações contrárias à política de cotas com protestos nas ruas, artigos nos jornais, produções de livros e falas públicas de pessoas famosas. O racismo velado já existia há muito tempo no Brasil, disfarçado pela cordialidade. A suposição é que, de certa maneira, ele tem mostrado seu lado mais explícito à medida que grupos não dominantes têm trabalhado para mudar essa realidade. Referências: Lima, M. E. O. e Vala, J. (2004). As novas formas de expressão do preconceito e do racismo. Estudos de psicologia, 3, 401-411. Azevedo, C., M., M. (1989). Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites do século XIX. Anamblume. São Paulo. Fonte: Estereotipos

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Representação de negros nos quadrinhos segue estereótipos, revela pesquisa

Existe estereotipização na forma como os negros são retratados nas histórias em quadrinhos (HQ) brasileiras. Segundo pesquisa realizada na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o fato pode ser observado desde o século 19. O pesquisador e professor Nobuyoshi Chinen avaliou em seu estudo de doutorado histórias em quadrinhos publicadas no Brasil desde 1869, considerando como publicação inicial o título "Nhô Quim", de Angelo Agostini, até publicações de 2011. "Historicamente, as representações seguiam um padrão comum e exagerado", afirma. "Elas tendiam a homogeneizar o aspecto visual dos personagens", diz Chinen. Os estereótipos foram identificados não só nos aspectos visuais, mas também nos papéis desempenhados nas histórias, em comparação com os personagens brancos. "Invariavelmente [os negros] eram subalternos, intelectualmente limitados e socialmente desfavorecidos" conta. O pesquisador diz que a origem dessa forma de representar vem dos minstrels americanos, artistas brancos que, para se apresentar como negros, pintavam o rosto com tinta preta, entre outras caracterizações exageradas. Chinen alega que percebeu ser impossível quantificar quantos personagens negros havia em todas as publicações brasileiras de quadrinhos, e que isso também não seria representativo. "Eu havia partido de uma premissa equivocada de que um produto de cultura de massa deveria refletir proporcionalmente a sociedade. Mas isso não ocorre necessariamente. Em termos proporcionais, certamente, há muito mais detetives nos quadrinhos do que na vida real" esclarece. Chinen também procurou outros tipos de publicações para avaliar o papel dos negros nos quadrinhos. "Achei que devia dar um contexto mais amplo e me preocupei em incluir um breve histórico da iconografia do negro nas artes visuais, desde a primeira pintura a representar um negro no Brasil, em tela feita pelo holandês Frans Post, até as caricaturas e charges do Período Imperial." Segundo o pesquisador, também foi difícil abranger toda a criação brasileira de HQ. "Não existe um acervo completo de tudo o que foi lançado em quadrinhos no país e as coleções que mais se aproximam disso pertencem a particulares, o que dificulta o acesso." Poucos personagens Ainda assim, Chinen encontrou mais personagens negros do que inicialmente esperado. A representação, no entanto, não é, ainda, ideal. "Embora o panorama geral tenha mudado de uns tempos para cá, penso que ainda há poucos personagens negros nos quadrinhos brasileiros e menos ainda os que têm papel de protagonista" diz. As HQ têm como algumas de suas bases a caricatura e o humor. Isso, em algumas vezes, se dá com o reforço de traços exagerados e com generalizações. Para Chinen, "o perigo dos estereótipos é quando o público passa a achar que determinado tipo de figuração é normal, quando na verdade é ofensiva. É da natureza do humor construir situações que requerem uma dose de crueldade perpetrada sobre o outro e o limite entre o fazer rir e o humilhar é extremamente sutil". A representação equivocada de negros nas HQ, para o pesquisador, auxilia, como todo produto de comunicação em massa, a perpetuação de preconceitos. O professor acredita que trabalhos como o seu ajudam a debater o racismo presente nas representações do negro na sociedade. "A princípio eu tentei evitar uma abordagem que fugisse do âmbito das histórias em quadrinhos, mas no decorrer da pesquisa, compreendi que não dava para ignorar os aspectos sociopolíticos e a questão da identidade." Entre as HQ que Chinen destaca, estão séries criadas pelo cartunista Mauricio Pestana, sobre a participação negra em revoltas brasileiras, além dos personagens Luana, criada por Aroldo Macedo, e Aú, O Capoerista, criado por Flávio Luiz. A pesquisa, iniciada em 2008, inicialmente como um mestrado, foi orientada pelo professor Waldomiro de Castro Santos Vergueiro e encerrada em 2013. Chinen faz parte do Observatório de Quadrinhos da ECA. Fonte: Correio Nagô

Racismo, miscigenação e casamentos interraciais no Brasil

Os números dos casamentos interraciais, da composição racial dos universitários ou das estatísticas de vítimas de violência só comprovam nosso racismo e nosso machismo Por Alex Castro, no Blogueiras Feministas Uma típica família brasileira branca, de classe média baixa e incorporando todos os pressupostos racistas da nossa cultura, talvez corresse a bala o garçom negro que ousasse dar em cima da filhinha caçula, ou a doméstica negra querendo casar com o branquelo primogênito (Imagem: http://luacheiaeventosrp.blogspot.com.br/) Quando escrevo sobre racismo no Brasil, muitos leitores (em profunda denegação) argumentam que não somos racistas e citam como evidência nossa “miscigenação”, nossos casamentos interraciais. Um email típico que recebo: aqui nos Estados Unidos, se voce é negro, voce pode ser famoso, rico, o que for: quando você casar com a loira de olho azul de Kennebunkport, Maine, NINGUÉM vai achar bonito. No Brasil, se você é negro e pobre e é exatamente como o Ronaldo Fenômeno, voce é negro e pobre. Quando voce vira famoso e rico (exatamente como o Ronaldo), voce é OK.Se você casa com a loira, a família dela acha lindo! Se alguém disser que isso é mentira, eu sou todo ouvidos pra explicação. Como não é, o Brasil é um país classista, placist, acima de tudo. Agora, racismo e preconceito existe no mundo todo, sempre existiu, sempre vai existir. Nao existe lugar que é 100% racism/prejudice free. Mas usar isso como argumento é não querer ver o problema principal. No país onde Pelé namorou a Xuxa (a mulher mais branca do brasil, e segundo o Chico Buarque, a única branca) e todo mundo achou bonito, digam: se Pelé fosse pobre, o que vocês achariam? Pois é… Eu devo mesmo entender tudo errado. Pra mim, isso só prova que, no Brasil, o racismo está à venda. * * * Sim, existem muitos casamentos interraciais no Brasil mas, na maioria deles (5 em 6, segundo o livro“Racismo à Brasileira: Uma Nova Perspectiva Sociológica”, de Edward Telles), o cônjuge negro tem status socioeconômico superior. O fenômeno já foi estudado em outras sociedades tão racistas quanto a nossa e, em inglês, se chama“status exchange in interracial marriage“. Basicamente, de acordo com Telles, indivíduos da raça socialmente considerada inferior (no nosso país, os negros) mas que estejam em posição de superioridade social, educacional ou financeira podem “trocar” sua pretensa/percebida “inferioridade racial” e “superioridade socioeconômica” pela pretensa/percebida “superioridade racial” mas “inferioridade socioeconômica” dos indivíduos pobres da raça considerada superior (no nosso país, os brancos). Os dados matrimoniais revelados por Telles sugerem que, devido ao racismo estrutural da nossa sociedade, os cônjuges negros teriam um status percebido tão baixo no “mercado matrimonial” que seriam obrigados a pagar um alto preço para obter casamentos “vantajosos” (“marry up”) com parceiros mais claros. De um modo economicamente bem real, sua cor já seria uma desvantagem tão grande que precisam de muitas outras vantagens compensatórias (maior escolaridade, maior renda, etc) para poder competir em pé de igualdade. Uma típica família brasileira branca, de classe média baixa e incorporando todos os pressupostos racistas da nossa cultura, talvez corresse a bala o garçom negro que ousasse dar em cima da filhinha caçula, ou a doméstica negra querendo casar com o branquelo primogênito. Por outro lado, um médico negro, uma profissional liberal negra, com carro na garagem e TV de plasma, talvez não fosse tão ruim assim. Talvez. A segurança financeira e ascensão social percebidas talvez compensasse o tabu de unir-se a alguém da raça considerada “inferior”. O Brasil é um país racista. Quando digo isso, muitos leitores se sentem atacados, como se eu tivesse chamado todos os brasileiros de racistas, mas uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra. Ênfase em necessariamente. O fenômeno social descrito acima, por exemplo, é extremamente racista, porém nenhum de seus atores poderia ser propriamente chamado de racista. Ninguém é obrigado a casar com ninguém. Não podemos chegar para moça branca e brandir um dedo na sua cara, acusando-a de racista por ter preferido o médico negro ao pardo carpinteiro que namorou antes. Não podemos chegar para o médico negro e brandir um dedo na sua cara, acusando-o de racista por ter se casado com uma branca pobre, ao invés de escolher “uma mulher da sua cor”! Nenhuma dessas pessoas (necessariamente) é racista, ou é canalha, ou está errada, ou merece repreensões. Observar os casos individuais não resolve nada. As pessoas são livres e casam com quem querem. Entretanto, quando olhamos para os números de modo geral, é impossível não ver nesse fenômeno matrimonial um dos sintomas mais gritantes do racismo brasileiro. Somente o fato de o Brasil ter muitos casamentos interraciais não prova que o país não é racista. Mas, pelo contrário, a dinâmica desses casamentos comprova, mais uma vez, a sobrevalorização do branco e a estigmatização do negro em nossa cultura racista. * * * De acordo com Telles, o elo mais fraco da corrente são as mulheres negras, vítimas de preconceito duplo: por serem mulheres e por serem negras. Como existem mais mulheres do que homens, já existe uma maior probabilidade estatística das mulheres ficarem mais solteiras que os homens. As brancas superam o déficit de homens brancos casando com os pardos; as pardas, com negros, e assim sucessivamente ao longo do espectro das cores, até que, obviamente, faltam negros para as negras – que não têm literalmente ninguém “abaixo” delas. Ou, pelo menos, é isso que sugerem as pesquisas do sociólogo Edward Telles sobre a dinâmica dos casamentos interraciais no Brasil. O número de mulheres brancas casando com homens pardos é muito superior ao número de homens brancos casando com mulheres pardas, e assim sucessivamente. Mais alguns dados extraídos de “Racismo à Brasileira: Uma Nova Perspectiva Sociológica”: Mulheres brancas passam em média 65% de suas vidas casadas, contra 50% das negras; 51% dos homens negros se casam com pessoas de outras raças, contra somente 40% das mulheres negras. No Brasil, por causa da perversa hierarquia racial e sexual, quem acaba sobrando na dança das cadeiras matrimonial são as negras. Naturalmente, não se está dizendo que todas as pessoas querem casar ou que o casamento seja a medida do sucesso de um ser humano, mas somente que os dados de Telles indicam, mais uma vez, que de todos os players do mercado matrimonial brasileiro, as mulheres negras são as que têm menos opções, são as que casam menos e são as que passam menos tempo casadas. * * * O Brasil gosta de se pensar vivendo em uma democracia racial. Adora bater no peito e citar que nossa miscigenação e nossos casamentos interraciais provam que não somos racistas. Mas até mesmo a própria dinâmica desses casamentos interraciais só faz comprovar tanto o machismo quanto o racismo estruturais da sociedade brasileira. São sempre os negros que terminam morrendo mais cedo, sendo mais presos, ganhando menos. São sempre as mulheres que terminam trabalhando mais, ganhando menos, sofrendo mais violências. E, quando analisamos os números dos casamentos interraciais no Brasil, cujo mercado matrimonial acontece num contexto profundamente machista e racista, são as mulheres negras, duplamente subalternas, que sofrem mais. Para onde quer que olhemos, seja para os números dos casamentos interraciais, para a composição racial dos universitários ou para as estatísticas de vítimas de violência, todos os números só fazem comprovar nosso racismo e nosso machismo. Alguns brasileiros gostam de se enganar dizendo: “Se fôssemos racistas mesmo não seríamos miscigenados. Racistas são os norte-americanos que não se misturam.” Não é verdade. Racistas são os dois. No Brasil, a existência da categoria racial “mulato” é tanto causa como consequência da ideologia de mestiçagem/branqueamento, e não um resultado automático da mistura de raças. A miscigenação, por si só, não cria “miscigenados” ou “mestiços” ou “mulatos” ou qualquer que seja o termo inventado para classificar as pessoas que são produto da união de indivíduos de raças diferentes. Nos Estados Unidos, por mais deles que existam, são simplesmente classificados de “negros”, e pronto. Taí o presidente Obama que não me deixa mentir. Não existe nenhuma contradição entre ser um “país mestiço” e ser um país racista. Tanto o Brasil quanto os Estados Unidos são países profundamente mestiços e profundamente racistas. A única coisa que muda é como cada cultura escolheu chamar as pessoas de raça misturada: os norte-americanos chamam de “negro” quem tem uma gota de sangue negro; os brasileiros inventaram inúmeros termos para todas as matizes de cor. O racismo é o mesmo. * * * Quando publiquei uma versão original desse texto, muitos anos atrás, diversos leitores não conseguiram comentar. Depois de algum tempo, descobri o motivo: para evitar o spam de comentários, o sistema tinha uma lista de palavras muito usadas pelos spammers e qualquer comentário com alguma delas não era publicado. De repente, me bateu um estalo e fui conferir a lista. Estava lá: “interracial”. Ou seja, qualquer leitor que tentou escrever um comentário com essa palavra (o próprio tema do artigo!) não conseguiu comentar. Spammers usam muito essa palavra em seus anúncios porque existem muitos sites pornôs sobre isso. E existem muitos sites pornôs sobre isso (e seções inteiras nos sex shops norte-americanos só de filmes pornôs interraciais) porque esse tema é recorrente e fortíssimo na cultura racista norte-americana. Ou seja, a própria presença da palavra “interracial” na lista negra não seria coincidência: na verdade, ela ilustra o próprio tema do artigo. De acordo com os estereótipos racistas em voga nos Estados Unidos (e no Brasil também), o negro seria sempre bestial e sexual, desejado e temido, seja ele o negão bem-dotado ou a negona insaciável. Não por acaso, a cultura racista norte-americana ao mesmo tempo em que fetichiza muito mais o sexo interracial que a brasileira, também apresenta muito menos casamentos interraciais. Naturalmente, quanto mais a pessoa negra é fetichizada como objeto sexual, menos ela é considerada como possível cônjuge. Não é de se surpreender que todos esses preconceitos racistas das sociedades brasileira e norte-americana façam com que, nesses países, as pessoas negras (especialmente as mulheres) passem mais tempo solteiras e tenham mais dificuldade para casar.

Presidenta do Sindidomésticas processa Micheline Borges

Jornalista potiguar afirmou que médicas cubanas tem “cara de empregada doméstica”. Ação de danos morais cobra R$ 27 mil Reprodução A presidenta do Sindidoméstica (Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos da Grande São Paulo), Eliana Gomes de Menezes, entrou com uma ação de danos morais contra a jornalista potiguar Micheline Borges, que afirmou no Facebook que as médicas cubanas contratadas pelo Programa Mais Médicos “tem uma cara de empregada doméstica”. “Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma Cara de empregada doméstica. Será que São medicas Mesmo??? Afe que terrível. Medico, geralmente, tem postura, tem cada de medico, se impõe a partir da aparência….. Coitada da nossa população. Será que eles entendem de dengue? E febre amarela? Deus proteja O nosso Povo!”, diz o texto publicado pela jornalista na rede social. Posteriormente, em um comentário na mesma publicação, Micheline afirmou que não gostaria de ser atendida por pessoas “descabeladas, de chinelos e sem lavar a cara”. Após a repercussão negativa de sua declaração na internet, Micheline publicou um pedido de desculpas e deletou seu perfil nas redes sociais. “Foi um comentário infeliz, foi mal interpretado, era para ser uma brincadeira, por isso peço desculpa para as empregadas domésticas”, escreveu. Menezes diz que representa todas as empregadas domésticas do Brasil na ação, uma vez que atuou na profissão e conhece todos os rótulos e preconceitos enfrentados por essa classe de trabalhadoras. “Micheline Borges menospreza a potencialidade das médicas cubanas e trata com desprezo e discriminação as nossas empregadas domésticas”, diz a presidenta do Sindidoméstica. Leia também: - Jornalista causa revolta ao afirmar que médicas de Cuba “têm cara de empregada doméstica” - O médico cubano negro e a intolerância de nossa elite branca - Sindjorn lamenta as declarações de Micheline Borges sobre médicas cubanas Na ação, é citado o artigo do jurista Luiz Flávio Gomes, na qual o mesmo afirma que “a declaração [de Micheline] foi feita com base na ‘cara’ das médicas, caras negras ou pardas escuras, caras essas que os arianos (como Hitler) discriminam como feias ou malvadas”. O processo foi encaminhado para a na 1ª Vara do Juizado Especial Cível de Vergueiro, em São Paulo. A ação possui assessoria jurídica da Federação das Empregadas e Trabalhadores Domésticos do Estado de São Paulo, a qual o Sindidoméstica é filiado. “A Federação das Empregadas e Trabalhadores Domésticos do Estado de São Paulo e sindicatos filiados não admitem que preconceitos, discriminações, descasos, maus tratos, injustiças, continuem tão arraigadas na mentalidade dos cidadãos brasileiros (…) É imprescindível absorver as mudanças e notar que o Brasil não é feito de brancos, negros, amarelos, vermelhos, mas sim, da miscigenação de todos esses povos. O país desenvolveu em tantos aspectos desde seu descobrimento, mas a sociedade não conseguiu acompanhar esses avanços”, posiciona-se a entidade. De acordo com Camila Ferrari, assistente jurídica da federação, não foi definido ainda se a jornalista será ouvida em São Paulo, ou se a ação será encaminhada para o Rio Grande do Norte, de onde Micheline postou a ofensa. Com informações da Carta Capital.

Caminhada no Rio de Janeiro pede liberdade religiosa e Estado Laico

Por: Vinícius Lisboa, Repórter da Agência Brasil Milhares de pessoas se reuniram ontem (8) na Praia de Copacabana para a 6ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, promovida pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio. “A caminhada é importante porque mostra o conjunto de todas as religiões. A gente tem que defender o Estado Democrático de Direito, e levar em conta que, além de religiosos, somos todos cidadãos. A democracia no Brasil tem que se consolidar e compreender que a religião não tem que se impor ao Estado laico. Ela pode sugerir, mas respeitar o espaço de todos. Essa é uma riqueza da sociedade brasileira em que temos que insistir”, disse o babalaô Ivanir Santos, presidente da comissão. Ivanir destacou que a caminhada cresceu em número de religiões representadas, e comemorou a adesão maior dos evangélicos ao movimento. Apesar disso, ele lamentou a ausência de líderes protestantes. “O desafio é avançar e convencer os segmentos evangélicos de que temos que estar todos juntos”. A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, participou da caminhada e pediu aos líderes religiosos que apoiem o Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa. “São atores políticos importantes os que estão aqui e devem nos ajudar a tornar realidade esse plano, uma realidade que se faz não somente em função de nossas iniciativas [do governo federal], mas pelas possibilidades de envolver os governos estaduais e prefeituras, porque, sem elas, o plano não se realiza”. Representando a Igreja Católica, religião com o maior número de fiéis no Brasil, o padre Fábio Luiz de Souza defendeu o conhecimento de todas as crenças. “Para acabar com a intolerância, é preciso principalmente se conhecer mutuamente e derrubar quaisquer barreiras e preconceitos”. O representante budista, Marcos Eduardo Purificação Correia disse que a religião só faz sentido se houver tolerância. “A importância dessa caminhada é demonstrar respeito acima de qualquer diferença. Se não conseguirmos superar essas diferenças, não há porquê termos religiões mais. Cada um tem que expor o que tem de melhor”, disse, que defende o ensino religioso nas escolas, como uma forma de mostrar todas as formas de fé. Sacerdote e presidente da União Wicca do Brasil, Og Sperle, destacou que mesmo nos debates pela liberdade religiosa é preciso dar espaço a grupos menos numerosos, como o seu. “O problema é que as minorias não são vistas pelas religiões majoritárias. Não somos convidados a participar dessa construção da liberdade. Existe uma dúzia de religiões que se juntam para ditar as regras”. Edição: Carolina Pimentel Fonte: Combate Racismo Ambiental

A, B, C do racismo

Mariana Santos de Assis, uma militante do movimento negro que está sempre antenada nas informações e debates sobre muitos temas, já estivemos juntos no Pro-Cotas Unicamp e Pro-Cotas do Mandato Pedro Tourinho e em outras ocasiões e tenho que ressaltar a qualidade do debate que Mariana sempre nos traz de forma simples sem deixar de ser acadêmica. Segue seu Texto abaixo: Vivemos um momento importante no Brasil, pois nossa elite branca, finalmente está saindo do armário da democracia racial e botando o racismo na rua abertamente. Por um lado isso facilita nossa vida, pois torna visível e incontestável o racismo em certas falas e atitudes, mas por outro lado, torna mais complicado entender as raízes mais profundas da discriminação racial, as formas cruéis e sutis como os interesses e as estruturas política-econômica-ideológica reverberaram em nossa formação cultural e relações sociais. Por exemplo, quando brancos se mobilizam contra a entrada de negros em números semelhantes a de brancos nas universidades, quando defendem o espaço universitário como sendo DELES; quando se incomodam com médicas que parecem empregadas domésticas (ao invés de se incomodarem com o fato de não termos médicas, no Brasil, que se pareçam com aquelas de Cuba); quando ainda aceitam e reivindicam elevadores de serviço, quartos de empregada e outras estruturas que demarcam e diferenciam os espaços da casa grande e da senzala; quando não paramos para pensar no medo que um homem negro em uma rua escura nos causa, e sei que causa mesmo; quando não pensamos que a marginalidade dessa parcela da população foi construída por uma história de privações e exclusão, quando dizem que “quem quer consegue”, mesmo sabendo que os negros estão, majoritariamente, pobres, presos ou mortos (vide os dados do IBGE), quando excluímos as produções culturais negras dos espaços valorizados de circulação de conhecimento. Sempre que brancos assumem essas atitudes ou pensam dessa forma estão sendo racistas, estão, excluindo, reforçando os lugares de subalternidade do negro, nos colocando “no nosso lugar”, não é o fato de não sentirem atração sexual por mulheres negras ou não gostar de samba, funk ou qualquer produção cultural da periferia negra que os tornam racistas, assim como o fato de ter amantes negrxs ou frequentar espaços culturais negros não te torna um grande defensor do povo negro e baluarte da igualdade entre as raças. Isso porque nossa luta não é pela aceitação e admiração do branco, lutamos por um espaço digno na sociedade que ajudamos a construir, lutamos pelos mesmos direitos de escolha e liberdade que os brancos gozam, ainda que sejam pobres, dentre outras coisas por estarem bem mais próximos da “boa aparência” necessária para estar em espaços privilegiados. Por fim, percebam que falei em brancos sendo racistas, excluindo e reforçando os lugares de subalternidade do negro, muitos gritarão revoltados que negros também são racistas, muitas vezes bem mais racistas que brancos. Lembro as palavras de Carlos Moore, “racismo é sistema de poder… O negro não tem poder de ser racista em nenhum lugar, mesmo se fosse possível”. O que negros fazem ao papaguear as bobagens racistas que faz parte de nossa sociedade é apenas reproduzir, fazer as vezes do negro servil que repete a postura do branco, numa busca desesperada por aceitação em uma sociedade que jamais o verá como igual e só o aceitará se ele, de dentro de seu belo carro importado, com sua linda mulher branca, souber abaixar a cabeça e aceitar seu lugar. Não há nada mais perfeito para os interesses de nossa sociedade racista do que negros falando contra cotas, contra médicos negros cubanos, contra políticas de ações afirmativas ou gritando argumentos pautados no mito da democracia racial. Saibam apenas que o negro que ainda faz esse papel, nunca será revoltante e odioso como o branco privilegiado que faz o mesmo. O branco quer manter seus privilégios, seu papel de dominador e o nosso de dominados; o negro, por sua vez, quer apenas manter-se seguro, garantir o pão e o pano, ainda que o pau seja inevitável e as noites de batuque na senzala, à luz da lua e das doces lembranças de África sejam o mais próximo de liberdade que chegará. Entendo que muitos ainda não tenham consciência de que pensam e agem assim, mas no fim das contas, mesmo que não seja sua intenção é isso que está fazendo, exatamente isso. Fonte: Religiões Afro Brasileiras e Política

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sickle Cell Anaemia - Profa. Dra. Hala Evans

Anemia Falciforme - Profa. Dra. Muna Muhammad Odeh

Corredor polonês racista é coisa do cotidiano brasileiro - por Fátima Oliveira

 
Uma “historinha” sobre falta de caráter, xenofobia e racismo de um médico idoso, que em nada difere de gente desprezível de outras profissões, pois o microcosmo das categorias profissionais é revelador das ideias dominantes numa sociedade de “racismo cordial”, onde ninguém se diz racista, só os outros são!
corredor polones
Na manhã de 1º de agosto passado, fui aos Correios do meu bairro com uma grande caixa para ser despachada. Como não havia lugar no balcão para a caixa de preciosidades para minha neta Clarinha, avisei a funcionária de que seria a próxima. Aguardei ao lado. Chegou a minha vez. Ao dizer: “Encomenda PAC”, um senhor todo pimpão, cabelos menos brancos que os meus, mas aparência de 70 e cacetada, fez de conta que eu não existia e entregou um envelope. Negra, aprendi a reagir quando fazem de conta que sou invisível.

Na maciota, mas firme, disse: “Senhor, é a minha vez! Estava na fila!”. E ele: “Isso aqui é rápido. É meu voto para o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo. Sabe o que é isso?”. Eu: “Senhor, espere! Estou sendo atendida!”. Ele: “Desculpe-me, não a vi! Sou muito educado! Pode passar, madame! Nordestino não respeita fila!”.

E o muito educado foi esbravejar no fim da fila: “Esse povo do Nordeste nem sabe o que é fila. Lá não existe isso. Conheço essa gente do meu consultório de ajudar pobres ali na favela. Há muitos desses nordestinos lá que eu ajudo! Favela não, que esse nome é discriminação e tá errado, da comunidade da Barragem Santa Lúcia. Sou caridoso. Atendo de graça lá. Ora, não vou me trocar com qualquer uma, sou médico, sou rico!”.

Gargalhei e, com o sangue fervendo, detonei: “E moleque, safado, xenófobo e racista. E cale a boca: sou tão médica quanto o senhor, há quase 40 anos...”. Ele (mirando a negra que vos fala): “Será? Então sou médico há mais anos que você!”. Eu: “E daí? Tá pensando que medicina nasceu só para o senhor, que é branco e do Sudeste? Deixe de bestagem e de xenofobia. Vou chamar a polícia para o senhor deixar de ser safado. Suma daqui, seu moleque, se não quiser sair algemado. Chispa!”.

Assustadíssimo, tropeçou nos próprios pés e, tremendo como vara verde, saiu feito um azougue... “Já vai? Espera a polícia, quero ver tua riqueza te safar!”. Mas ele fugiu! O único temor foi de o sujeito ter ou simular uma “sapituca” e eu ter de socorrê-lo ali...

Quando um médico setentão diz o que disse, demonstra que há caráter de todo tipo em qualquer profissão. Não é surpresa que médicos jovens portem cartazes “sou médico, sou culto, sou rico”, que evidenciam uma faceta da desfaçatez reinante; nem é coisa de outro mundo, é daqui mesmo, a exibição do corredor polonês do banditismo do racismo ocorrido em Fortaleza, uma criminosa intimidação a médicos cubanos. E Juan Merquiades Duvergel Delgado, médico, negro, cubano, tirou de letra: passou por ele – eternizando numa foto, que ganhou o mundo, a naturalização e a banalização do racismo brasileiro! Aliás, o maior mérito da importação de médicos, que oficializa a precarização do trabalho médico – pois até o governo solapa direitos trabalhistas e ainda quer aplausos –, é comprovar a falta de vergonha de ser racista sem medos!

Negro no Brasil vive num corredor polonês racista. Mas só negros percebem e sentem, como o aceite ou a omissão diante de práticas racistas institucionais, a exemplo do engavetamento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População Negra, que não andou um milímetro em sua implementação no atual governo. “Pra quem sabe ler, um pingo é letra”.




Fonte: O Tempo

Meninas Black Power


                               
"Ser negro não é um sentimento dado a priori, ser negro é um vir a ser. Ser negro é tornar-se negro", sentencia a Psicanalista Neusa Santos numa frase que serve como mote para quem se propõe a reafirmar sua negritude.

E essa é, de fato, a empreitada em que as Meninas Black Power estão empenhadas. Com mais de 27 mil seguidoras, um grupo de meninas propagam no Facebook o orgulho de ter cabelo crespo

Com mais de 27 mil seguidoras, um grupo de meninas propagam no Facebook o orgulho de ter cabelo crespo. Além de assumirem suas madeixas crespas em seu dia a dia, incentivam todas as leitoras a se livrarem da ditadura do cabelo alisado.

Diante de uma época dominada pelas escovas definitivas e progressivas, as Meninas Black Power fazem o caminho inverso, querem tornar crespos os cabelos agredidos pelas químicas. Criada pela estudante carioca de enfermagem e obstetrícia Élida Aquino, a fanpage refaz o itinerário iniciado ainda no Orkut. “Meninas Black Power era uma comunidade no Orkut, e reunia quem estava descobrindo o cabelo crespo, a maioria em transição para o natural”, afirma Élida. Ao se lembrar de como descobriu a beleza dos crespos, Élida diz que enxergar a beleza do cabelo crespo natural é um processo para além da questão capilar. “Não é só estético e não só usamos os cabelos naturais por beleza. Esse processo vem junto com a reconstrução e aceitação da sua própria identidade. Ter modelos e referências na sociedade, que comunguem a mesma ideologia, facilita muito a desconstrução do modelo de beleza vigente. Posso dizer que entre as Meninas da equipe o que aconteceu foi um retorno ao que somos. A motivação começa quando você passa a se identificar com aquilo que questiona. Assim passamos por processos que nos levaram a cogitar o natural diante de tantas opções para domar e modificar o que já era nosso. Vimos, por exemplo, as norte-americanas que fizeram o movimento transition explodir, assistimos os vídeos, lemos os textos, olhamos para os cabelos e nos enxergamos naquilo. Somos tão semelhantes na aparência, e qual o motivo de não sermos livres como elas?”

Devido o grande sucesso, a página Meninas Black Power não é administrada somente por Élida: “temos, de fato, um coletivo, e dividimos nossos grupos de ação em diferentes Estados. Nossa intenção é alcançar todo o Brasil, mas por enquanto temos 14 integrantes no Rio, 13 em São Paulo, 3 em Minas, uma em Porto Alegre , uma na Bahia e uma no Espírito Santo. Minas, Bahia, Espírito Santo e Porto Alegre estão escolhendo mais meninas”, explica Élida.

Para elas, ao contrário do que muitos pensam, Meninas Black Power (MBP) não existe para pregar a tal “ditadura do cabelo natural”. “Acontece que há um fenômeno recorrente e vivemos nele desde muito tempo (algumas durante toda vida): obrigação de estar dentro do padrão pra sermos aceitas; ou melhor, toleradas”. “Contra tudo, nosso movimento se soma aos outros núcleos que se espalham por aí e dizem que ‘cabelo ruim’, ‘duro’ e ‘inaceitável’ é invenção pra dominar o pensamento. Sim, nós podemos libertar os nossos e os de muitas outras. Já passou da hora, meninas! Então não damos crédito ao ouvir que há ditadura aqui”.

“Nós não gostamos da química que aprisiona e faz pensar que só somos lindas com pouco volume, cabelos ultra sedosos ou cachos soltos (mas se você usa química e está por aqui, não precisa sair, viu?!); vamos contra a ideia de que não podemos ser crespas nas salas de entrevistas, de aula ou dentro da empresa; nós reinventamos o conceito de perfeição no momento em que espalhamos que tudo pode ser perfeito como é.”

“MBP é um centro de inspiração e apoio pra quem se sentiu presa a vida toda, mas agora decidiu que pode soltar o cabelo e as ideias. Há algo de errado em ajudar? Estamos abertas para as que amam seus cabelos e quem compreende que ditadura, de verdade, é não se satisfazer com o que realmente pode ser. Estamos soltas.”, afirmam as meninas.

Jacqueline Soares é uma das seguidoras das Meninas Black Power, e conta o que mais a motivou a abdicar da química e da chapinha e passar a manter o cabelo em sua “versão” natural: “Sempre fui vaidosa, relaxava meu cabelo sempre que os primeiros fios “rebeldes” começavam a surgir. mas não me sentia AUTÊNTICA. E com tanta química os cachos foram se perdendo e optei pelas Tranças, uma fase que gostei demais, mas ainda não me sentia realizada. Até que um dia, em um desfile para o salão Beleza Negra vi uma Negra Linda de cabelo Black Power - hoje uma das minhas melhores amigas e mentora do black Fernanda Ross.”

Para Nilma Lino Gomes, Reitora da UNAB e autora do livro Sem perder a Raiz, “Pensar a passagem da manipulação do cabelo do negro e da negra, do estilo político ao estilo de vida, abre um leque de possibilidades para o entendimento das expressões estéticas negras da atualidade, que não se limita à conscientização política. Coloca-nos no cerne da construção social e cultural da questão racial numa sociedade que, cada vez mais, privilegia e estimula a individualidade, a auto-expressão e uma consciência de si estilizada”.

LEVANTANDO A BANDEIRA CONTRA O PRECONCEITO

Em janeiro, a marca de cosmético Cadiveu publicou em sua fanpage um álbum de fotos de uma ação de divulgação para o estande da marca na Beauty Fair 2012, feira internacional sobre cabelos que aconteceu em São Paulo. Na ação, visitantes foram convidados a posarem usando perucas gigantes, que lembram um penteado black power, e mostrando uma placa com os dizeres: “Eu preciso de Cadiveu”. As Meninas incentivaram seguidoras a publicarem fotos com as mensagens #eunaoprecisodecadiveu, #blackpowercontraopreconceito e #duroeoseupreconceito. Na plataforma de blogging Tumblr, foi criada também a página “Não preciso de Cadiveu”. A repercussão foi tão grande que a ação foi publicada nos principais jornais do país.


“MUITO MAIS QUE SÓ UMA MUDANÇA DE PENTEADO, ELAS ESTÃO SE MOVIMENTANDO NUMA DIREÇÃO, OUSANDO, SE EXPONDO; E MAIS QUE TUDO ISSO, ABRINDO CAMINHOS PARA A ESCOLHA.”


MUITO ANTES DAS MENINAS

O Cabelo Black Power, também considerado por alguns como afro, foi considerado um estilo político pelo movimento de contestação dos negros desencadeado a partir da década de 60. Esse momento, ao atribuir ao cabelo crespo o lugar da beleza, representava simbolicamente a retirada do negro do lugar da inferioridade racial, no qual fora colocado pelo racismo.

A originalidade de assumir o cabelo crespo passava pelo pensamento da consciência negra que, segundo Nilma, era: “Tudo isso era para desvelar a introjeção de inferioridade – não só intelectual como estética – do negro, pregada pelo apartheid. A ideia central era de que o negro oprimido se libertasse dos valores racistas inculcados pela dominação branca, resgatando a riqueza da cultura africana. A consciência enfatizada por esse movimento incorporava e dava destaque à valorização do padrão estético negro, na tentativa de liquidar o mal-estar vivido pelo negro em relação à sua própria imagem. Esse movimento de estetização negra se propaga e atinge negros e negras de vários países, inclusive, do Brasil.”


Fonte: Revista Raça

Indígenas montam site e contam sua versão da história em materiais didáticos


                               
Legenda:A ONG Thydewá tem diversos projetos com o objetivo de empoderar os povos indígenas
Ainda nos primeiros anos da escola, quando as crianças têm seus contatos iniciais com a história brasileira, uma das perguntas propostas por muitos professores é “Quem descobriu o Brasil?”. A esta indagação, é comum que se espere que a criançada em coro responda “Pedro Álvares Cabral”.


Ao atribuir ao navegador português a descoberta do país, esta versão dos acontecimentos desconsidera as estimadas 5 milhões de pessoas que aqui viviam antes da chegada dos europeus. Para tentar minimizar este e muitos outros desrespeitos à cultura indígena, a ONG Thydêwá resolveu criar uma plataforma online para que os índios desenvolvam materiais didáticos que contem sua história e atualidade.

No site Índio Educa, é possível encontrar artigos a respeito de diferentes etnias e tribos brasileiras, todos escritos por indígenas. Os assuntos são diversos, e vão de aspectos históricos ao cotidiano. ”A época do índio sem voz está terminando. Este projeto tem o objetivo de empoderar o indígena para dialogar. Trabalhamos em cima dos preconceitos que existem, como pessoas que acham que eles ainda vivem nus”, conta o presidente da Thydêwá, Sebastian Gerlic.

A ideia surgiu em 2008, quando a Lei 11.645 tornou a temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” obrigatória no currículo oficial da rede de ensino. Desde então, a ONG começou a reunir jovens indígenas interessados em produzir material de apoio a professores e alunos, e o Índio Educa foi lançado em 2011.


“Percebemos uma carência de material didático para dar subsídio a essas disciplinas. Então, chamamos indígenas que estão em universidades para formar um grupo de trabalho. Hoje o site tem 200 matérias provenientes de 10 etnias diferentes”, explica Gerlic.

O conteúdo do site é todo em formato de Recurso Educacional Aberto, com licença Creative Commons. Isso significa que o material pode ser utilizado e modificado por outras pessoas, como professores que queiram montar um conteúdo didático próprio.

Visite o site: Indío Educa

Fonte: História Ciências e Saúde

Ex-modelo aponta racismo em semanas de moda e cobra ação de organizadores

                               
A ex-modelo Bethann Hardison enviou quatro cartas na última quinta-feira para os órgãos sociais das semanas de moda de Nova York, Paris, Londres e Milão com acusações de racismo nas passarelas.

Segundo ela, a ausência de modelos negros nos desfiles não pode ser vista com naturalidade. As informações são do Huffington Post.

No final da carta, ela citou grifes que seriam racistas, entre os nomes estão Donna Karan, Versace, Céline, Louis Vuitton, Alexander McQueen, Calvin Klein, BCBG, Prada e Chanel. "Assim não há esconderijo", disse Hardison ao jornal. "Se você diz os nomes, ninguém pode dizer: ‘isso não tem nada a ver comigo’”, explicou.

"Eu estou tentando educar as pessoas. Esta é uma responsabilidade de muitos”, afirmou a ex-modelo. Hardison considerou a ação da Vogue uma representação poderosa da beleza negra, porém, dedicar um desfile para todos os modelos negros "é ofensivo", segundo ela, e não resolve o problema do racismo. “Deve haver diversidade, todas as nacionalidades, cores, raças e tons de pele serem representados igualmente”, completou.

Steven Kolb, do conselho da semana de moda de Nova York disse que discutiu a carta com a presidente do grupo, Diane von Furstenberg, e que eles continuam a apoiar a diversidade. O conselho britânico informou que, embora não supervisione o casting de modelos, é comprometido com a luta pela diversidade na London Fashion Week.

Didier Grumbach, presidente da Chambre Syndicale, na França, garantiu que a próxima Paris Fashion Week vai representar uma grande variedade de etnias. Mario Boselli, do órgão responsável pela semana de moda na Itália afirmou que continuará o incentivo, mas não pode impor como deve ser a escolha de modelos. Hardison disse ter respeito pelos designers: “acho que eles são boas pessoas e apenas não entendem quais os reflexos de suas atitudes”.

Fonte: Terra

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Palestra debate Educação Étnico Racial


Palestra Ação integra Campanha Infância sem Racismo
 
A Secretaria de Estado da Criança, com o objetivo de atuar de forma articulada na promoção e proteção dos direitos da criança e do adolescente convida para participar da Palestra: Educação Étnico-Racial, que será realizada no dia 10 de setembro, de 14h30 às 16h30, na Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do DF (EAPE), no SGAS 907, Conjunto A.
       
Trata-se de uma das ações estabelecidas no protocolo de intenções, assinado no dia 26 de março pelas secretarias de Estado da Criança, de Promoção da Igualdade Racial, Educação, Cultura, Saúde, Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, Justiça Direitos Humanos e Cidadania, Secretaria da Mulher, Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) e o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), durante o lançamento da Campanha Por Uma Infância sem Racismo, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal em 08 de abril de 2013, Seção III, NÚMERO 71, PÁGINA 355.
O conjunto de ações que compõem a campanha tem o objetivo de fomentar a mobilização social, assegurando o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância. 
Além de palestra, estão sendo desenvolvidas outras ações, entre elas, a produção de materiais publicitários informativo referente ao tema, divulgação da campanha em eventos promovidos pela SeCriança,  o incentivo à leitura, com o programa Mala do Livro, para os socioeducandos das unidades de internação, com temática étnica racial, além de um concurso de poesia.
A palestra será ministrada pela professora Maria do Carmo Barbosa Galdino, especialista em educação, raça e etnia, e vai falar sobre a construção e promoção da identidade negra.
O evento contará com a participação da sociedade civil, autoridades e servidores do GDF, além da comunidade escolar. A participação de todos é de suma importância para somar avanços no processo de efetivação dos direitos da infância e da adolescência no DF.
Serviço:
Palestra Educação Étnico Racial
Dia: 10 de setembro
Horário: 14h30 às 17 horas
Local: Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do DF (EAPE), SGAS 907, Conjunto A

Campanha Por uma infância sem racismo

 



Seria possível uma infância sem racismo?
Seria possível termos todas as crianças de até 1 ano de idade sobrevivendo?
Seria possível um Brasil com todas as crianças – sem faltar nenhuma delas – tendo seu nome de família assegurado no registro civil de nascimento?
Seria possível termos todas as crianças – sem faltar nenhuma delas – com acesso a educação integral?
Seria possível termos todas as crianças livres dos efeitos da discriminação racial?
Depende de nós!
A discriminação racial persiste no cotidiano das crianças brasileiras e se reflete nos números da desigualdade entre negros, indígenas e brancos.
Com a campanha Por uma infância sem racismo, o UNICEF e seus parceiros fazem um alerta à sociedade sobre os impactos do racismo na infância e adolescência e a necessidade de uma mobilização social que assegure o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância.
Baseada na ideia de ação em rede, a campanha convida pessoas, organizações e governos a garantir direitos de cada criança e de cada adolescente no Brasil.


Dez maneiras de contribuir para uma infância sem racismo
Peças da campanha
Mensagem de Lázaro Ramos, ator e embaixador do UNICEF no Brasil
Adolescentes contra o racismo – Depoimento de Fernando José de Moura Neto
Adolescentes contra o racismo – Depoimento de Gabrielle dos Santos Oliveira
Mensagem dos líderes espirituais

terça-feira, 13 de agosto de 2013

RELAÇÃO ESCOLA COMUNIDADE - REC



Curso Educação Patrimonial: Eco-História do Planalto Central

Carga horária: 90h
 

Aula Inaugural dia 22/08/2013

·         Acolhimento, apresentação dos cursistas com uma dinâmica, apresentação do cronograma do curso e exposição do “Museu da Educação do DF com a Drª Eva Waigrós Pereira / UNB ou a Profª Carmem da EAPE.

1º Módulo: Processos de Ocupação e Povoamento do Planalto Central

·         O Planalto Central Colonial -  Srº Wilson Vieira Junior (Arquivo Público) –  29/08/2013

·         Comissões do Planalto “Comissões Luiz Cruls”: Relatório rota de 12 Km em Sobradinho – Srº Elias Manoel da Silva (Arquivo Público) - 05/09/2013

·         Povos, saberes, moradas e tradições no sertão do Distrito Federal: Srº Wilson Vieira Junior e Elias Manoel da Silva (Arquivo Público)  - 12/09/2013
·         Patrimônio Natural e Cultural: “Vale do Ribeirão de Sobradinho” – Profº José Ivacy (SEDF/Casa do Ribeirão ) – 19/09/2013
      Trabalho de Campo: Trilha da Missão Cruls em Sobradinho, das nascentes à Chapada da Contagem.

        21/09/2013

2º Módulo: Ecossistema, Biodiversidade e Paisagem Cultural
·         Patrimônio Natural do Bioma Cerrado e sustentabilidade – Profº Adriana  Morbeck Esteves (SEDF/ Núcleo de Educação Ambiental) – 26/09/2013
·         Arte e Meio Ambiente - Profº Paulo Pereira –  (SEDF/Planaltina) – 03/10/2013
·         Alfabetização Ecológica: ABCERRADO – Profª Rosângela Corrêa – (Faculdade de Educação/UNB); - 10/10/2013
·         Trilhas Ecopedagógicas naturais e urbanas - Profª Adolpho Kesselring (SEDF / Escola da Natureza) - 17/10/2013
·         Água como matriz ecopedagógica – Profª Vera Catalão (SEDF/UNB) – 24/10/2013
·         Paisagem Cultural –  Mônica Monglli (IPHAN)  31/10/2013
Trabalho de Campo: Corredor Ecológico no Ribeirão Sobradinho: descida avaliativa e mapeamento das nascentes – 26/10/2013

3º Módulo: Patrimônio Cultural: Conceitos e Áreas de Atuação
·         Patrimônio Material – Profª Juno Alexandre Carneiro ( IPHAN) – 07/11/2013
·         Patrimônio Imaterial – Profº Rodrigo Ramassote  (IPHAN) – 14/11/2013
·         Educação Patrimonial – conceitos e práticas – Profª Sônia Regina Rampim /
 (IPHAN) – 21/11/2013
·         Educação Patrimonial – Manual de Aplicação – Programa Mais Educação – CEDUC / IPHAN – 28/11/2013
·         Trabalho de Campo: Visita APA do Cafuringa: última fronteira natural do DF (Rua do Marco), uma leitura interpretativa – 23/11/2013
Obs: O curso será ministrado na Casa do Ribeirão: Av. Contorno Qd.09 – Viveiro NOVACAP entre Sobradinho I e II.   – Inscrições no site da EAPE até dia 20/08 e após com Adriana Tosta ou Willian através do número: 3901-4424 / 3192

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

ENCONTRO DOS SABERES TRADICIONAIS

Informe - Cronograma:

Reunião de apresentação do projeto Encontro de Saberes aos professores da Secretaria de Educação do Distrito Federal

 Data: 16 de agosto de 2013
Horário: 16:00h às 18:00h
Local: Sede do INCTI – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - INCT/CNPq – Universidade de Brasília – UnB. Endereço: Campus Universitário Darcy Ribeiro - UnB, ICC Sul Subsolo, Sala BSS 135/138 - Asa Norte – Brasília - DF – Brasil.
Público-alvo: Professores da Secretaria de Educação do Distrito Federal que participarão da disciplina “Artes e Ofícios dos Mestres Tradicionais” na UnB.
Objetivo: Apresentação da proposta político-pedagógica do projeto Encontro de Saberes.
Programação:

15h30 - Recepção - Coffee break.

16:00h - Abertura – apresentações e expectativas.

16h30 - Apresentação do projeto Encontro de Saberes e da proposta da disciplina “Artes e Ofícios dos Mestres Tradicionais” – professor José Jorge de Carvalho.

17:00h - Debate.

17h40 - Exibição do vídeo “Encontro de Saberes”.

18:00h - Encerramento.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

CEDIV E UNB OFERECEM:

ARTES E OFÍCIOS DOS SABERES TRADICIONAIS

Estão abertas as inscrições para a formação do projeto Encontro de Saberes nas Universidades Brasileiras, que integra a disciplina “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais", ofertada pelo Departamento de Antropologia na Universidade de Brasília, coordenado pelo Prof. José Jorge de Carvalho.

A disciplina está dividida em módulos : Módulo I - Pensar, Sentir, Fazer: Eixos Norteadores do Projeto Encontro de Saberes/Disciplina-Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais; Módulo II - Dança, Música e Teatro do Cavalo Marinho; Módulo III – A Arquitetura da Casa Tradicional Xinguana;
Módulo IV – Saberes Sociomusicais: Congado e Moçambique; Módulo V - Preservação e Conhecimento das Espécies do Cerrado: Saberes e Práticas Tradicionais de Cura Através das Plantas Medicinais.

O número de vagas ofertadas será 10 por turno (matutino e vespertino) e as  aulas terão início no próximo dia  16 de agosto.

É necessário enviar mini currículo para o e-mail diversidadecoordenacao@gmail.com. O preenchimento da ficha cadastral e entrega das cópias do RG, CPF e comprovante de residência, será realizada no 1º encontro.

Informações: CEDIV 3901-4424/3192

segunda-feira, 8 de julho de 2013


O RACISMO ESTÁ CRESCENDO


O relator da ONU encarregado de avaliar a discriminação no mundo, Doudou Diène, diz que o preconceito é cada vez maior em muitos países e que no Brasil ele está profundamente arraigado em toda a sociedade. 

POR DAYANNE MIKEVIS
FOTOS: EDU MORAES
 

Doudou: "A discriminação é o pilar ideológico deste hemisfério"
O Brasil recebeu no mês passado a visita de um homem cuja a missão de fazer três perguntas a um eclético grupo de pessoas, que ia de representantes da sociedade civil ao presidente da República. Para isso, passou dez dias no país cumprindo uma agenda atribulada em Brasília, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Paulo. Na forma, as questões eram absolutamente singelas: a) Existe racismo no Brasil?; b) Quais são as manifestações de discriminação e racismo atualmente?; e c) Quais são as soluções para combater o problema? Se perguntar não ofende, como reza o velho bordão, não se pode dizer o mesmo das respostas que o senegalês Doudou Diène ouviu. O relator especial da Comissão de Direitos Humanos da ONU para as Formas Contemporâneas de Racismo e Discriminação disse que ficou "perturbado" com certas coisas que escutou e observou. O relatório com sua análise será divulgado pelas Nações Unidas somente em março. Um dia antes de partir, no entanto, Doudou abriu espaços entre seus compromissos em São Paulo para responder suas próprias perguntas e compartilhar com os leitores da Raça suas primeiras conclusões. Ditas em francês, inglês e um pouco de espanhol - por telefone, pessoalmente e numa entrevista coletiva -, estas são as suas impressões:
 
Raça - O senhor está há quatro anos na função e já visitou diversos países. Como está o racismo no mundo? 

Doudou Diène - Há um recrudescimento do racismo. Nos últimos anos ocorreram três conferências internacionais para combate ao racismo. A última foi a de Durban, e uma convenção internacional foi feita. Apesar disso, atos de racismo ocorrem em todos os continentes e se traduzem em violência. Estamos assistindo à legitimação intelectual do racismo de uma forma que não víamos alguns anos atrás. Samuel Huntington, professor da Universidade Harvard, publicou recentemente o livro Where Are We? ("Onde estamos?"), cuja tese principal é que a presença dos latinos na América do Norte é uma ameaça à cultura norte-americana. É um livro de muitas páginas, que legitima a discriminação da população latina nos Estados Unidos. Portanto, vemos que o bicho está saindo da floresta. Criou-se um ambiente no qual essas coisas podem ser ditas agora. O combate ao terrorismo, que é legítimo, acabou justificando a discriminação contra certos grupos. Tudo isso leva a pensar que a discriminação racial e a xenofobia são as ameaças mais graves aos princípios democráticos. É cada vez maior o número de agremiações políticas que adotam discursos racistas. Na Europa, alguns partidos xenófobos vêm obtendo 15%, 20% dos votos. Isso é muito grave.
 
"QUANDO O MAPA DA ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA COINCIDE COM O MAPA DAS ETNIAS MARGINALIZADAS, É SINAL DE UM RACISMO ESTRUTURAL PROFUNDO"
 
Há racismo no Brasil?
Recebi dois tipos de resposta. No documento que o Brasil assinou em 2001, na última conferência internacional contra o racismo, realizada em Durban, na África do Sul, o presidente Fernando Henrique Cardoso reconhecia a realidade do racismo. Em contrapartida, encontrei alguns dirigentes estaduais e federais, que relativizam a realidade e a importância do racismo, com base no argumento ideológico da democracia racial. Notei uma grande diferença entre o reconhecimento do racismo pelos aparelhos de Estado e a vontade manifesta de combatê-lo, quando não a própria negação de parte de algumas autoridades. Todas as comunidades com que me encontrei no Brasil - com exceção da japonesa em São Paulo - expressaram com grande dor e sofrimento a profundidade do racismo. A discriminação constitui o pilar ideológico deste hemisfério, e isso inclui o Brasil. Tendo em conta que o país recebeu 40% da população escrava no mundo, ele foi marcado por essa herança. O racismo é uma construção que tem uma extensão intelectual muito intensa, que impregnou a mentalidade das pessoas. Portanto, tiro duas conclusões preliminares sobre a pergunta. Uma é que o racismo certamente existe no Brasil e a outra é que ele tem uma dimensão histórica considerável.

Segue o link com a entrevista completa.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

I Want To Know What It's Like - Quero Saber como é...


Um vídeo que busca despertar nossas sensibilidades para a
 igualdade de direitos.





PROJETO





Vem aí a sua II fase!

A Cor da Cultura é um projeto educativo de valorização do patrimônio cultural afro-brasileiro, em apoio a implementação da Lei 10.639 no Brasil.
Realizaremos, nos dias 02 e 03 de julho,  a 2ª fase do Projeto que será em forma de seminário (dia 02/07, no auditório do CIL 01- 908 sul) e minicursos/oficinas (dia 03/07 na EAPE).
As inscrições se encontram abertas para todos os interessados da Rede, sendo 125 vagas para o turno matutino e 125 para o vespertino.

Participe!